Meu lugar no mundo

A mulher chega no cinema apressada e aflita. A sala está cheia e ela tem medo de não encontrar um lugar pra sentar. Vai direto para a fileira do mercado de trabalho, mas todas as poltronas estão ocupadas. E ainda tem gente de pé, só esperando vagar um lugar pra conseguir sentar. Ela então se desespera. Revolta-se. Pagou caro e se esforçou muito para chegar até ali. Como pode ficar sem lugar agora? Ao ver a confusão, o lanterninha sabido se aproxima pra tentar ajudar.

Entre quatro paredes

A menina acompanha atenta a sua aula semanal de pintura. Na tela em branco, apoiada num cavalete de madeira, ela cria com pinceladas suaves cenas de natureza morta em tons claros de rosa, azul e amarelo. Uma pintura bonita, leve, correta. Ela mostra com orgulho o desenho feito com boa técnica para os colegas do curso e se despede.
De volta em casa, no quarto, de frente pra cama de casal vazia, a mulher tenta digerir a raiva depois de uma discussão conjugal. Mas não consegue. Dói muito.

Photo Olga DeLawrence/unsplash

Prisão da escassez

A mulher se prepara para sair da prisão depois de décadas. Sai da cela onde dormia e é levada por uma funcionária pelo corredor. Na recepção, lhe devolvem algumas roupas, pertences e um saco plástico cheio de dinheiro.
Ela deixa o presídio mas fica parada por um tempo na frente do portão. De chinelos e calça de moletom, segurando o saco de dinheiro bem firme nas mãos. Faz um dia lindo, ensolarado, mas a mulher está assustada. Foram muitos anos presa, praticamente a vida inteira.

Canto da sereia

Na loja de presentes, a menina se encanta com quase tudo o que vê. Os enfeites, brinquedos, joias. De mãos dadas com o pai, ela o puxa forte pelo braço e aponta para um quadro lindo que está na vitrine. Ele vira o rosto bem rápido e diz displicente “sim, filha, é lindo”. Fingiu que viu, mas não viu. Seus olhos e seu interesse estão todos voltados para a vendedora da loja, com quem conversa animado, investindo num possível encontro. A menina se irrita.

Livro da vida

A mulher está afoita na biblioteca. Os olhos nervosos correm pelas prateleiras, passando rápido por fileiras e mais fileiras de livros. E vai lendo bem rápido: título, assunto, autor. Há tempos que busca algo que não sabe bem o que é. Uma leitura profunda, que faça sentido. Um conhecimento que preencha a sua alma.
No canto da última prateleira, um livro bem velho, meio mofado, chama sua atenção. Mas ela finge que não vê.

“Quando me descobri racista”

Conheci a Bianca em 2003 no primeiro dia de aula da faculdade. E em pouco tempo ficamos muito amigas. Era a única colega negra da sala. Talvez a única de todo o curso de jornalismo. Falávamos muito sobre Direitos Humanos, Política, História… e muitas bobagens também. Me lembro do dia em que ouvi ela falar que estava estudando algo sobre a escravidão e os impactos sofridos pelos negros nas aulas de Ciências Sociais, na USP.

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