Canto da sereia

Na loja de presentes, a menina se encanta com quase tudo o que vê. Os enfeites, brinquedos, joias. De mãos dadas com o pai, ela o puxa forte pelo braço e aponta para um quadro lindo que está na vitrine. Ele vira o rosto bem rápido e diz displicente “sim, filha, é lindo”. Fingiu que viu, mas não viu. Seus olhos e seu interesse estão todos voltados para a vendedora da loja, com quem conversa animado, investindo num possível encontro. A menina se irrita. Encontra outro presente, chama o pai novamente, bate o pé no chão. Faz de tudo pra chamar a atenção, mas o esforço é inútil. Ele só tem olhos para a moça que está do outro lado do balcão.

Anos se passaram. A menina cresceu e virou mulher. Linda, formosa, sedutora. Na loja de presentes, hoje é ela que está na vitrine. Com uma calda de peixe, sutiã de conchas, colar de pérola. Virou sereia. Cuidadosamente, arruma os longos cabelos por cima dos seios fartos com orgulho. Acha que o seu corpo é o que tem de mais valioso para oferecer aos homens que passam

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